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06/09/2017 12:13

Cuiabá 296 anos

Nesta segunda-feira, dia 6 de abril, tive a honra de ser agraciado com o título de “Cidadão Cuiabano”, graças a iniciativa do vereador Mário Nadaf, a quem de público agradeço nessa oportunidade. Agradeço também ao povo cuiabano que tão generosamente recebeu a mim e a minha família que aqui chegamos no ano de 1993.

Aqui nasceu o meu filho mais novo, em 1998, e nesta terra que estou educando os meus filhos e de onde tiramos o sustento da nossa família. Não tenho palavras, portanto, para expressar a minha gratidão, já que tudo o que temos devemos a Cuiabá e a UFMT. Entretanto, aproveito esse momento para refletir sobre a realidade local, agora já na qualidade de cidadão cuiabano. O que será que faz com que uma cidade tão acolhedora, bonita e que beira os 300 anos esteja tão maltratada? São ruas esburacadas, córregos poluídos, um centro histórico maravilhoso mas em situação de abandono e o nosso Rio Cuiabá, que deveria ser um polo de atração e laser da cidade, recebe grande carga de poluição, seja na forma de resíduos sólidos, seja na forma de esgoto não tratado. Poderíamos ter um lindo parque urbano ao longo do rio, mas não o temos; nosso centro histórico poderia ser um palco a céu aberto abrigando diversos eventos culturais, atraindo a população e os turistas, mas isso não ocorre. A maioria das nossas praças estão em estado de abandono. As ruas escuras e esburacadas são um convite para a violência, que explode na cidade (recentemente fomos considerados a 28a cidade mais violenta do mundo). A arrecadação da cidade cresceu muito nos últimos anos, mas não se vê isso nas ruas. Cuiabá dá muito e recebe pouco ou quase nada de seus gestores e residentes. Nós, cidadãos cuiabanos, não podemos nos conformar com isso. Temos que lutar pela nossa cidade. Acredito que a situação a que chegamos foi o resultado de inúmeros anos de má gestão. Essa má gestão, no entanto, deriva também da falta de participação ou da pouca pressão exercida pela população em seus governantes, sem querer aqui apontar o dedo especificamente para este ou aquele prefeito ou governador. Nós temos o costume de culpar o governo por todos os males, esquecendo de fazer a nossa parte: Não cumprimos leis de trânsito, poluímos rios e córregos, jogamos lixo em terrenos baldios, fomentando o aparecimento de animais peçonhentos e de doenças como a dengue, por exemplo. É, portanto, urgente e necessária uma mudança de comportamento. Como professor que sou, tenho a firme convicção de que a educação é o grade indutor de transformações sociais, já que o indivíduo bem educado muda o seu comportamento, o que tem reflexos na diminuição da violência, na melhoria de saúde da população e no aumento do nível de renda e da riqueza nacional, como diversos outros países já demonstraram e o Brasil, ao que parece, ainda não aprendeu a lição. A educação, no entanto, é um investimento a longo prazo. Não podemos esperar 20 anos para melhorar Cuiabá, isso tem que ser feito já. Estou seguro de que se os bairros fossem bem iluminados, se as calçadas fossem bem cuidadas, de maneira a que o pedestre pudesse por elas trafegar sem correr o risco de andar no meio da rua e ser atropelado, enfim, se a cidade fosse melhor urbanizada e mais arborizada, criando condições para que o povo circulasse ruas, o nível de violência seria drasticamente reduzido. Bandidos não agem em locais bem iluminados e com gente circulando. Vejo com bons olhos o recapeamento de nossas ruas com asfalto de qualidade e parabenizo a prefeitura por essa realização, mas, mesmo reconhecendo o esforço que está sendo feito, afirmo que ainda é muito pouco. Precisamos bem mais. Vamos nos unir para que Cuiabá comemore os seus trezentos anos como merece, fazendo jus ao título de cidade verde e sendo tratada com mais carinho do que o é atualmente.

Prof. Paulo Teixeira de Sousa Jr


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